Síndrome do pânico e viagens: Como Lidar?

Desde a voar de avião, a andar de ônibus ou até mesmo acampar em um lugar deserto… A Síndrome do Pânico pode acontecer em qualquer momento, lugar ou com qualquer pessoa quando se está viajando, até mesmo antes de um evento específico, porém como podemos fazer para nos sair bem das crises e não deixar de aproveitar a viagem?

O que é um ataque de pânico?

O ataque de pânico é um episódio de intenso medo ou receio de início súbito e de relativa curta duração, juntamente com uma assustadora onda de sensações físicas e pensamentos.

As sensações físicas podem incluir:

– Coração batendo rapidamente
– Tontura / desmaio
– Falta de ar
– Dores no peito
– Dormência / formigueiro
– Transpiração
– Agitação
– Náuseas

Os pensamentos e sensações podem incluir:

– Fora de controle físico e/ou emocional
– A morrer
– A ter um ataque cardíaco / curso
– A desmaiar
– Enlouquecendo

 

Recomendações antes de viajar:

– Se você ainda não foi diagnosticado:

A base de tudo ocorrer bem é planejamento. Portanto se você possui os sintomas de uma pessoa que tem Síndrome de Pânico, o primeiro passo é você procurar ajuda profissional! Consultar um psiquiatra, não significa que você está ficando louco, e sim que está cuidando de uma doença como qualquer outra e que a cada dia é muito mais comum do que você pensa. O psiquiatra irá analisar se o seu grau de ansiedade necessita ou não de auxílio de algum remédio. E não tenha medo caso ele lhe recomende! Os remédios não viciam se você fazer o uso deles corretamente.

Também é primordial fazer acompanhamento com o psicólogo, afinal ele é o profissional responsável por te auxiliar a lidar com seus momentos de crise e como superar isso. O psiquiatra cuidará da sua saúde biológica aliviando os sintomas físicos. E o psicólogo vai te ensinar a aliviar os sintomas psíquicos que ocorrem durante a crise.

Ninguém viaja com dor de dente, ou enfermo, porque você viajaria sem consultar um profissional e receber as recomendações médicas necessárias para aliviar seus sintomas? Portanto não comprometa seu bem estar nem o bem estar da sua viagem. Uma viagem passando mal pode ser tão inesquecível como uma viagem incrível. Qual você prefere ter?… Vale a pena refletir e fazer as coisas certas para você ter boas recordações!

– Se você já foi diagnosticado:

Comente com Psiquiatra e/ou Psicólogo que você fará uma viagem. Por mais curta que seja é bom avisar seus profissionais e peça o número de telefone deles, se em caso de emergência sinta necessidade de entrar em contato com algum deles.

Ninguém te conhece melhor que você mesmo e o seu terapeuta! Por isso converse com ele sobre suas preocupações, medos e ansiedades e tire suas dúvidas sobre o que pode fazer caso veja que está começando a se sentir desconfortável. Aprenda com eles meios de lidar com a crise caso ela ocorra, ele é a pessoa apta a ensinar você a lidar com as crises.

 

 

Durante a viagem:

 

  • Planeje-se – Se planejamento já é a chave para qualquer viagem, pessoas que têm medo de viajar devem ser mais cuidadosas. Saber exatamente como será sua viagem – e perceber que as coisas estão no seu comando – pode ajudar a controlar o medo. Ter um roteiro pré-definido é uma boa para prevenir crises de ansiedades.
  • Tenha um kit de emergência com seus remédios indicados pelo seu psiquiatra.
  • Leve para sua viagem um caderno de anotações e uma caneta, para algumas pessoas escrever sobre o que estão se sentindo aliviam os sintomas e evitam a crise.
  • Viaje devagar – Não faça roteiros apertados e não transforme a viagem numa maratona. Dê tempo ao tempo, inclusive para você relaxar. Isso também pode ajudar caso as coisas não saiam como esperado, tipo quando um voo atrasa.
  • Faça exercícios durante a viagem e aproveite para conhecer o destino a pé! Escolha caminhar ou pedalar! Exercícios são ótimos para aliviar a ansiedade. Mas não se arrisque em lugares que possam te causar desconforto ou te deixe inseguro. Se puder opte por ir com mais pessoas e leve sempre o kit de emergência para onde você for.
  • Algumas pessoas se dão bem com músicas, então monte aquela playlist com aquelas músicas que você gosta e que você sabe que te farão bem.
  • Leve alguns livros para a leitura, se ocupar com algum tema que você gosta pode manter a crise bem longe!
  • Desenvolva hábitos naturais e saudáveis durante a viagem. Coma bem e nos horários corretos – Um viajante com fome é um viajante mais nervoso. Para quem tem níveis de ansiedade mais altos é bom evitar comidas pesadas como frituras e alimentos gordurosos. Principalmente durante a noite que é quando as vezes a ansiedade vem trazendo insônia devido o roteiro incrível que você vai fazer no dia seguinte. Bebidas como café e refrigerantes e excesso de carboidratos influenciam drasticamente na ansiedade. Monitore-se! Alimentos que aceleram o organismo como energéticos, refrigerantes e café, é sempre bom evitar.
  • Desligue-se! Evite ficar a todo momento nas mídias sociais postando o que está fazendo ou no celular falando com as pessoas. Estipule um horário do dia para isso e aproveite a viagem. Viva o momento e aproveite cada momento da viagem.
  • Procure se concentrar em alguns aspectos que só a sua viagem tem: costumes, culturas, hábitos, aromas, belezas, paisagens… Há tantas coisas que nossos 5 sentidos podem se ligar que a última coisa que eles vão querer é ter uma crise de pânico. Aproveite para observar e permita-se usufruir os detalhes, essa sensação agradável que vai te blindar contra as crises.
  • Durma bem – A falta de sono aumenta a ansiedade e o nervosismo. É recomendado não dormir muito tarde pra acordar bem cedo. Tente estabelecer uma rotina de sono durante os dias da viagem para que você possa aproveitar o dia com saúde.
  • Beba bastante líquido – A desidratação também aumenta os níveis de ansiedade, mantenha-se hidratado constantemente.
  • Evite bebidas alcoólicas e drogas – Não caia na tentação de beber algo para se acalmar. Isso pode piorar a situação e aumentar a ansiedade.
  • Viaje com alguém que você confia – Se você tem um medo irracional de viajar e passar mal, evite (a princípio) ir sozinho. E procure como companhia alguém que você confia e ama e que se sentirá seguro. Deixe a pessoa a par da sua condição e ensine-a a lidar com você caso você tenha uma crise, para que ela possa acalmá-lo e não entre em desespero em te ver mal.

O que fazer durante um ataque de pânico?

 

Tente não lutar contra o que você está sentindo. É importante relembrar-se que está a sentir uma intensa ansiedade e o mais certo é ser desproporcional a qualquer perigo real que possa julgar estar presente nesse momento. Muitas vezes, lutar contra os sentimentos, evitando-os ou tentar distrair-se pode realmente aumentar o seu medo de pânico e aumentar ainda mais o desconforto sentido. É importante relembrar-se que o pânico nunca é permanente, a maioria dos ataques de pânico nunca dura mais do que alguns minutos (em média, 4 a 6 minutos). Depois de atingir um pico de desconforto a tendência é para que a intensidade dos seus sintomas diminua.

Relaxe. O relaxamento é a chave para superar os ataques de pânico. As técnicas de relaxamento, tais como, relaxamento imagético, controle da respiração e meditações podem ser praticadas para ajudar a relaxar. Um exemplo de controle da respiração é a respiração lenta e profunda.

Exemplo: respire calmamente e em silêncio, conte para si mesmo à medida que vai inspirando: 1 … 2 … 3 … 4 … 5…, sustenha a respiração por um breve momento e expire continuando a contar para si: 1 … 2 … 3 … 4 … 5 …, repita o processo durante cerca de cinco minutos para que o equilíbrio de oxigênio e dióxido de carbono possa voltar ao normal. Este é um processo muito eficaz quando utilizado aos primeiros sinais de um ataque de pânico.

Desafie o seu medo. Tente ser consciente acerca do que você está pensando e veja se consegue desafiar esses medos. Apresento algumas perguntas que você pode fazer a si mesmo:

– “De acordo com o que agora sei sobre os ataques de pânico, e levando em consideração o recente check-up médico que descartou a possibilidade de qualquer explicação física para os episódios, estarei realmente tendo um ataque cardíaco, derrame ou a enlouquecer? O que eu temo está realmente a acontecer, ou o mais provável é que estes sintomas façam parte da minha resposta de ansiedade? “

– “O que é que eu aprendi da minha experiência com ataques de pânico? Já tive esses sentimentos antes e eles nunca me provocaram dano nenhum (morte), ou não passam de um ataque de pânico, tendo a causa no meu medo infundado?”

– “Se alguém que eu conheço estivesse sentindo estes sintomas, o que eu lhe diria para tranquilizá-lo que o que ele está sentindo são apenas sintomas de ansiedade?”.

Dê um tempo a si mesmo. Tente não se apressar durante um ataque de pânico. Não tente distrair-se ou fingir que não está sentindo a ansiedade. Não deve fazer isso, porque muitas vezes é esse facto que aumenta a ansiedade. Reconheça os seus sintomas como “apenas os sintomas”, lembre-se que você pode separar aquilo que sente, daquilo que pensa ou do medo que está a viver. Algumas pessoas acham útil pensar no pânico como se fosse idêntico a “surfar uma onda ” em que a onda vai crescendo, atingindo um pico, para em seguida diminuir suavemente na praia. Quando se sentir restabelecido, volte ao que estava fazendo.

Desenvolva e aplique o poder do pensamento positivo. Outra forma que contribui para a redução dos ataques de pânico é perceber a maneira que você fala para si mesmo, especialmente durante os períodos de maior stress e pressão. Os ataques de pânico geralmente começam a formar-se quando você diz a si mesmo coisas assustadoras, como “Eu sinto-me tonto… Eu estou prestes a desmaiar!” ou “Eu estou preso neste engarrafamento e algo terrível vai acontecer!” ou “Se eu sair, eu vou perder o controle e irei passar má imagem.” Estes pensamentos são chamados de “previsões negativas” e têm uma forte influência sobre a maneira como sente o seu corpo. Se você estiver mentalmente prevendo uma catástrofe, o seu corpo irá disparar uma resposta de alarme, uma resposta de “lutar ou fugir”.

Adote uma atitude positiva, tente concentrar-se em pensamentos positivos, calmantes e capacitadores, como “Eu estou aprendendo a lidar com as sensações ansiosas de pânico e sei que algumas pessoas conseguem superar o pânico “ou “Isto vai passar rapidamente, e eu posso ajudar-me a mim mesmo, concentrando-se na minha respiração e imaginar um lugar relaxante ” ou ” Estes sentimentos são desconfortáveis, mas eles não vão durar para sempre. “

Lembre-se desses fatos sobre os ataques de pânico:

Um ataque de pânico não pode causar insuficiência cardíaca ou um ataque cardíaco.
Um ataque de pânico não pode fazer você parar de respirar.
Um ataque de pânico não pode fazer você desmaiar.
Um ataque de pânico não o leva a “enlouquecer”.
Um ataque de pânico não pode fazer você perder o controle de si mesmo (poder pode, mas apenas se você permitir).

Ter Síndrome do Pânico não é um bicho de sete cabeças se você faz acompanhamento corretamente com os devidos profissionais. Inclusive quanto mais você viajar e enfrentar as situações que lhe causam medo de passar mal, mais fácil irá superar todos esses sintomas, mas novamente friso que isso só será eficaz com o devido acompanhamento profissional. Com o auxílio profissional você irá aprender a não evitar as situações ou atividades que estão relacionadas com o pânico. Por exemplo, não tentar evitar o exercício, os transportes públicos, ou dirigir. Se você está começando a temer ou a evitar certas situações, precisa pouco a pouco voltar a fazer essas coisas. Esta é a melhor maneira de aprender que o pânico não precisa impedi-lo de realizar as suas atividades habituais e que você pode passar por isso sem prejuízos maiores.

 

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Comment

  • Pergunta: se eu tiver já tiver passagem de IDA e VOLTA. Já tiver ido e tiver ataque de pânico durante a viagem, comprar outra passagem e voltar. Tenho direito a reembolso da passagem inicial de VOLTA ? Ou tenho direito a utilizar o seguro viagem para ressarcir a passagem comprada durante o ataque?

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